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domingo, 9 de junho de 2013

Remédios de uso humano podem matar cães e gatos.




por Mariana Fabricio do Diário de Pernambuco.





Uno, um miniatura pinscher com três anos de idade, apresentou os sintomas comuns da intoxicação após ingerir 30 gotas de analgésico dadas por sua tutora, a analista administrativa, 42 anos, Simone Pereira. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press
Uno, um miniatura pinscher com três anos de idade, apresentou
os sintomas comuns da intoxicação após ingerir 30 gotas de
analgésico dadas por sua tutora, a analista administrativa, 42 anos,
Simone Pereira. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press






Perceber o animal de estimação doente pode ser desesperador para quem não sabe como agir em um momento como este




Na ânsia de vê-lo saudável, alguns tutores resolvem medicá-los com remédio próprio para humanos. Mas o que nem todos sabem é que essa atitude agrava o estado de saúde do animal podendo até mesmo levá-lo a óbito. Conheça quais os riscos e as consequências de medicar seu pet com remédios impróprios para a espécie.

De acordo com a veterinária e professora de terapêutica da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Flávia Menezes, todos os animais são sensíveis à medicação humana. E as consequências podem ser fatais. "Os cães e gatos têm o metabolismo diferenciado e por isso medicamentos próprios para humanos passam mais tempo no organismo dos animais e demoram mais para serem absorvidos", explica.

Segundo Flávia Menezes, o tempo que o remédio demora para ser reconhecido é superior a seis ou oito horas, tempo que é comum às pessoas. Neste período o organismo procura eliminar o que não reconhece. "Normalmente o vômito e a diarreia são os sintomas mais comuns da intoxicação. Mas como o remédio não é eliminado porque ainda não foi absorvido pelo organismo, causa a hemorragia, quando o vômito e as fezes do animal saem com sangue".

Uno, um miniatura pinscher com três anos de idade, apresentou os sintomas comuns da intoxicação após ingerir 30 gotas de analgésico dadas por sua tutora, a analista administrativa, 42 anos, Simone Pereira. "A veterinária tinha indicado um remédio para ele tomar caso sentisse alguma dor. Pensando que seria a mesma coisa, dei um analgésico de uso humano. Depois que ele tomou percebi que uma reação estranha à medicação, vomitando muito, ficando molinho e com diarreia". Aos primeiros sintomas que o cão apresentou, Simone resolveu levá-lo para a Clínica Veterinária Fauna, onde recebeu tratamento para desintoxicação. "Ele ficou em observação após ser medicado e depois de três dias estava bem. Hoje tenho trauma de medicá-lo. Lembro que fiquei muito assustada", conta.

Entre os remédios que são frequentemente ingeridos pelos pets estão os anti-inflamatórios, analgésicos e antidepressivos. A falta de informação e a transferência de sentimentos para o animal são os principais motivos. "Quando o animal fica mancando ou o dono percebe que ele está sentindo algum tipo de dor, por achar que eles são iguais a pessoas ou crianças, os tutores optam por medicá-los, não sabendo o quanto isso pode fazer mal. Algumas pessoas ao se sentirem ansiosas ou depressivas, acham que o animal também está, então passam a medicá-lo".

Foi o que aconteceu com a doméstica Maria José da Conceição, 55 anos, que resolveu medicar seu cão Tico, também um miniatura pinscher, com seis anos após ele ter sofrido um acidente. "Ele estava mancando, então pensei que ele estivesse com dor aí resolvi dar um anti-inflamatório", explica. Conceição o medicou com duas doses a cada 24 horas. Ao perceber que ele estava vomitando bastante e com diarreia, sem saber que os sintomas eram reação à medicação imprópria, a doméstica resolveu então dar um remédio para má digestão, foi quando o quadro de Tico piorou. "Quando percebi que ele estava pior, levei ele ao veterinário e na clínica o médico me explicou que fazia mal a ele e que eu não podia dar remédio de gente", explica. O cachorro ficou internado durante seis horas em uma clínica veterinária, mas não resistiu. 

A veterinária Flávia Menezes afirma que casos como esses são recorrentes e afirma que esse tipo de medicação deve ser evitada até mesmo com remédios naturais ou chá. “O correto é evitar qualquer tipo de medicação humana ou até mesmo compartilhar remédio de outro animal, já que a dosagem pode ser diferente para cada um deles. No entanto, em caso de intoxicação, não se deve tentar alternativa caseiras. A primeira coisa a ser feita é procurar assistência adequada”, afirma.

terça-feira, 4 de junho de 2013

O que fazer na hora do adeus.




O que fazer na hora do adeus.

por Mariana Fabricio do Diário de Pernambuco




O produtor cultural Tadeu Gondin, 37 anos, optou pelo enterro da cadelinha Sarah, uma Dachshund, que aos 11 anos sofreu um infarto e não resistiu. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press
O produtor cultural Tadeu Gondin, 37 anos, optou pelo enterro da
cadelinha Sarah, uma Dachshund, que aos 11 anos sofreu um infar-
to e não resistiu. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press






Ninguém gosta de pensar no momento em que não terá mais o animal de estimação por perto. Para


muitos proprietários, os pets são considerados membros da família e o apego dificulta a despedida na hora do falecimento. No entanto, em um momento como esse, é necessário saber o que fazer. No Recife são poucas as empresas que oferecem o serviço funerário especializado ou a cremação. Buscar ajuda de um profissional ou contratar uma empresa séria são atitudes que podem minimizar o sofrimento.

A veterinária Pâmela de Almeida explica que a decisão sobre o que fazer após o falecimento deve ser do tutor, mas alerta sobre alguns riscos. “Mesmo que o animal esteja em uma clínica ou hospital, é o proprietário que decide. Muitas vezes eles preferem ficar com o corpo. Nós indicamos a cremação, que é mais cômodo. Até porque para fazer o funeral é preciso ter um local adequado, com a profundidade de mais de dois metros porque é material biológico em decomposição”, esclarece.

A cremação oferece mais comodidade e menos custo, mas não é muito escolhida por tutores por ser feita de forma coletiva. “A cremação é feita através de empresas ligadas aos hospitais veterinários que incineram os animais junto com materiais biológicos. Por não ser individual, não há devolução de cinzas”. O valor irá depender do porte do animal, mas a taxa é a partir de R$50,00.

Já o funeral pode ser de responsabilidade do tutor ou de uma empresa contratada. O produtor cultural Tadeu Gondin, 37 anos, depois da morte de sua cachorrinha Sarah, uma Dachshund, que aos 11 anos sofreu um infarto e não resistiu, optou por contratar uma empresa para cuidar do enterro. “Ela faleceu em uma clínica, então me indicaram a cremação, até pensei na possibilidade, mas achei que seria mais respeitoso enterrá-la em um cemitério”, conta.

Tadeu recorreu à Serviços Funerários para Pequenos Animais (Serfupa), que se responsabilizou pelo transporte, enterro e permanência do corpo no túmulo durante dois anos. Todo custo foi de mil reais. “Eu sei que ali está apenas o corpo, mas durante 11 anos ela me deu tanta alegria que preferi desta maneira. Não que eu goste de fazer visitas em cemitérios, mas eu achei mais respeitoso fazer isso por ela”, afirma.

No Recife há apenas um cemitério e é exclusivo para cães, o Bosque da Saudade, que é privado e está sob a administração do Kennel Club. Marco Mota, um dos diretores, explica que para realizar o enterro é necessário se associar. “O interessado entra em contato e paga o valor de R$ 554,00. Para quem já é sócio é cobrado o valor de R$ 170,00 para cobrir a conservação do local. O corpo fica no jazido durante dois anos”, informa. Mota acrescenta que esse também deveria ser um caso de responsabilidade pública. “Deveriam existir alternativas acessíveis à população. Muitos animais são jogados no lixo ou em vias públicas pelas pessoas”.

De acordo com o secretário de Direito dos Animais, Rodrigo Vidal, não há previsão para a criação de serviço funerário público. “Estamos estudando a viabilidade para criar um crematório público, mas não há previsão para ficar pronto. Por enquanto é de atribuição da Emlurb”.

A ação de recolhimento de animais através da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) é feita através de telefone 156. A assessoria do órgão informou que o corpo do animal é levado para um aterro sanitário e a população que solicitar o serviço deve informar a localização e o porte.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Eutanásia um dilema; fazer ou não.















Despedir-se do animal de estimação não é nada fácil. E mesmo diante do diagnóstico de uma doença incurável e que pode impor uma má qualidade de vida, o apego e sobretudo o amor pode levar o proprietário a lutar até os últimos momentos para tratá-lo. No entanto, em alguns casos a orientação dos médicos veterinários é quase sempre a mesma: a eutanásia. Um método que, mesmo prometendo uma morte sem dor, ainda é bastante rejeitado pelos tutores, seja pela dúvida ou falta de informação.
A veterinária Débora Monteiro teve que autorizar a eutanásia do seu próprio cãozinho, um labrador que sofria de câncer. Foto: Bernardo Dantas/DP/D.A Press

A veterinária Débora Monteiro teve que autorizar a eutanásia do seu próprio cãozinho, um labrador que sofria de câncer.Foto: Bernardo Dantas/DP/D.A Press 

De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) a eutanásia é considerada como “Cessação da vida animal, por meio de método tecnicamente aceitável e cientificamente comprovado, observando sempre os princípios éticos”. Para garantir o bem-estar, o procedimento deve atender a alguns princípios básicos definidos no Guia Brasileiro de Boas Práticas para a Eutanásia. E entre eles está a garantia da ausência de dor ou desconforto ao animal.

Segundo a médica veterinária do Hospital Veterinário Harmonia, Pâmela Vieira, a eutanásia é um sacrifício humanitário, já que todo procedimento ocorre quando o animal está anestesiado. “Primeiro são aplicadas drogas anestésicas no animal e, quando ele estiver completamente adormecido, é aplicada uma medicação que provoca parada definitiva no coração. O animal morre de parada cardio-respiratória”, explica. O procedimento dura em torno de 30 minutos e pode custar de R$100,00 a 300,00 dependendo do porte do animal.

Recentemente, o caso do cachorro Dentinho, encontrado na rua sem pelos e com problemas nos olhos e nos dentes, levantou a discussão sobre se o melhor seria sacrificá-lo. No entanto, de acordo com Gustavo Campos, médico da Clínica Veterinária responsável pelo caso, não foi necessário. “Ele não tem doença sem tratamento ou degenerativa, apenas não é um cachorro perfeito. O caso dele tem tratamento. A eutanásia deve ser somente em casos graves”.

Segundo a Resolução N° 1000, de 11 de maio de 2012, a realização da eutanásia em animais está restrita a situações em que não há possibilidade de outras medidas alternativas, devendo apenas ser indicada pelo médico veterinário, quando:

I - o bem-estar do animal estiver comprometido de forma irreversível, sendo um meio de eliminar a dor ou o sofrimento dos animais, os quais não podem ser controlados por meio de analgésicos, de sedativos ou de outros tratamentos;

II - o animal constituir ameaça à saúde pública;

III - o animal constituir risco à fauna nativa ou ao meio ambiente;

IV - o animal for objeto de atividades científicas, devidamente aprovadas por uma Comissão de Ética para o Uso de Animais - CEUA;

V - o tratamento representar custos incompatíveis com a atividade produtiva a que o animal se destina ou com os recursos financeiros do proprietário.

Mesmo sendo um dos motivos para realizar a eutanásia, a falta de recursos para tratar o animal ainda divide a opinião entre os veterinários. Para muitos não é motivo suficiente. “Aqui no Hospital Harmonia nós não fazemos mediante essa justificativa. Sendo por dificuldade financeira, os donos podem recorrer aos hospitais universitários, ou a organizações. Só fazemos quando não há possibilidade de tratamento por conta de alguma doença irreversível”, afirma Pâmela.

Segundo ela, as doenças mais comuns que podem ser irreversíveis são falência ou insuficiência nos órgãos, ausência das funções ativas normais, raiva e cinomose. No entanto, mesmo diante de casos em que a eutanásia é indicada, a decisão deve ser do responsável pelo animal. “O veterinário indica, apenas orienta, mas a decisão é do dono. Nosso papel é esclarecer sobre o caso, as chances e a qualidade de vida”, afirma.

Foi o que aconteceu com o militar Nahum dos Santos, 42 anos. Ele foi alertado por vários veterinários sobre o caso da rottweiler Dark, que aos seis anos apresentou diversas complicações derivadas de erliquiose, doença transmitida por carrapato, além de anemia e problema renal. Nos primeiros meses o militar não poupou esforços para tratar a cadela. “Foi um tratamento caro, ela tomava remédios diariamente, além da equipe de veterinários que acompanhava o caso”, conta.

Em determinado momento do tratamento, os três veterinários indicaram a eutanásia. Segundo eles, seria o melhor a ser feito. “Eu relutei, não aceitei no início, fazia tudo para ter alguma reação de Dark, mas eles diziam que não tinha mais o que fazer. Foi quando aceitei porque não aguentava mais a angústia de vê-la sofrer e por causa da minha impotência diante de tudo”, conta.

Ao chegar no consultório, Nahum voltou atrás. O motivo foi a esperança. “Diante de tudo que a gente já viu na vida, tantas histórias de superação, achei que deveria acreditar. Mas um dia depois ela teve uma morte natural. Acho que fiz certo em esperar, se não eu sempre ficaria na dúvida”, afirma. Mesmo desistindo, o militar afirma que tinha bastante segurança nos veterinários e diz ter certeza que o procedimento seria seguro.

Para tomar a difícil decisão, a confiança nos profissionais envolvidos é indispensável. De acordo com a veterinária Débora Monteiro, a melhor pessoa para informar sobre o caso do animal é um bom profissional. “O veterinário é quem pode esclarecer sobre a qualidade de vida que o animal terá e se há risco de morte, então o melhor é ouvi-lo”, afirma Débora, que também passou pela experiência com um labrador preto de 7 anos, que batizou de Negão.


O cachorro foi deixado na clínica em que ela trabalhava, sem pelos, com emagrecimento fora do normal, pesando 18 kg, quando deveria estar com 30 kg. “Ele foi doado por alguém que não queria cuidar dele, então resolvi adotar. Ele recebeu todo tratamento necessário e me surpreendi, porque quando ele ficou saudável descobri que era um labrador preto”.


Depois de três meses o cachorro estava totalmente recuperado, mas depois de alguns anos voltou a emagrecer e foi diagnosticado com câncer. Mesmo conseguindo vencer a doença, ele tinha parte do fígado comprometida e já estava com metástase no pulmão. “Eu não tinha mais o que fazer para dar qualidade de vida a ele. Negão era um cão ativo, mas depois da doença não comia nem brincava mais, então o veterinário que o acompanhava indicou a eutanásia e eu, como veterinária também, sabia que era a melhor coisa a ser feita”, afirma Débora.

Débora conta que também foi motivada a decidir pela eutanásia ao ver o sofrimento do cachorro. “Devemos nos perguntar: até onde vai nosso egoísmo? Claro que me ajudou saber que realmente não havia nada a ser feito e que a culpa não seria do profissional, mas o que mais me motivou foi vê-lo sofrendo. Ele tinha vivido bem e morreu com 13 anos. Hoje guardo o melhor dele, as lembranças boas”.