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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Saúde ocular de cães e gatos merece atenção.




por PRISCILLA MERLINO


Gamarra


Os olhos dos animais são delicados e podem apresentar irritabilidade por coceira ou em decorrência de algum elemento externo. Os cuidados com a higienização da área e a atenção a qualquer sinal de alteração devem ser frequentes.

“Os problemas oculares podem aparecer em qualquer idade, algumas patologias como a catarata são mais comuns em animais idosos, mas mesmo a catarata pode também aparecer em animais jovens e até filhotes”, revela Elaine Pessuto, médica veterinária, professora e diretora do CETAC – Centro de Ensino e Treinamento em Anatomia e Cirurgia Veterinária.

Mas quais sinais indicam que cães e gatos estão com algum problema de visão? Segundo a veterinária é possível notar alterações na aparência dos olhos, como excesso de secreção ocular, alteração na cor da secreção ocular, opacificação dos olhos, vermelhidão excessiva na esclera (parte branca dos olhos), além de incômodo e dor, que são demonstrados pelos animais através de fotofobia, piscadelas, tentativas de passar as patinhas nos olhos, raspar os olhos no chão, tapetes e sofás.

“Podemos ainda perceber que mesmo em ambientes conhecidos os animais começam a ter dificuldade durante a locomoção batendo em móveis, quinas e paredes, mas essas falhas na visão podem ser notadas em fases iniciais como uma insegurança do animal em saltar de locais que ele estava habituado, principalmente no escuro ou na penumbra”, esclarece a dra. Elaine.




Algumas raças de cães são mais suscetíveis e predispostas às determinadas doenças oculares. “ Em animais jovens e ou de olhos grandes (pugs, bulldogs, shih tzu, lhasas, pequinês) as doenças mais comuns são as de origem traumática, como as úlceras de córneas, devido ao grau de atividade dos filhotes e a conformação dos olhos dessas raças. Nessas raças também é comum a saída de uma glândula que fica abaixo da pálpebra (o nome desse problema é protusão da glândula da terceira pálpebra ou cherrie eye como denominam os americanos). Já nos idosos é comum a catarata, os poodles são bastante predispostos, mas qualquer cão pode apresentar a catarata senil. Em gatos as doenças traumáticas são mais comuns”, alerta a veterinária.

Os cães das raças shih tzu, lhasa, pug e bulldog são predispostos a protusão da glândula da terceira pálpebra, que também é conhecida como protusão da glândula de harder ou cherrie eye. Essa doença se caracteriza por uma ‘bolinha’ no canto interno do olho, esse problema é tratado cirurgicamente. A cirurgia visa reposicionar a glândula no lugar e jamais retirá-la, pois ela é responsável por parte da produção do filme lacrimal.

Além de iniciar o tratamento adequado ao estado de saúde de seu animal, o tutor também deve adotar algumas mudanças em casa para garantir a locomoção segura e qualidade de vida de cães e gatos que estão com problemas oculares. “O ideal é manter os móveis no mesmo lugar em casos de perda de visão aguda ou gradativa, pois contamos com a memória espacial dele a fim de reduzir as possibilidades de impacto, mas medidas como colocar protetores de silicone nas quinas são extremamente válidas”, orienta a diretora do CETAC.

Confira dicas valiosas da dra. Elaine Pessuto para identificar e tratar corretamente catarata, úlcera de córnea e o glaucoma:

 Catarata: pode ser notada pelo tutor através da opacificação da córnea, nota-se que os olhos vão ficando esbranquiçados e o animal começa a apresentar dificuldade de enxergar. O tratamento é cirúrgico, mas nem toda catarata é passível de cirurgia, por isso é importante uma avaliação completa por um veterinário especialista.

 Úlceras de córnea: são extremamente dolorosas, assim é possível observar fotofobia, secreção ocular, tentativas de tocar os olhos. O tratamento é clínico na maioria das vezes com a utilização de colírios e analgésicos, em casos mais extremos pode ser feito também uma manobra cirúrgica.

 Glaucoma: também é uma patologia muito dolorosa, nota-se um aumento do tamanho do olho e na maioria dos casos uma protusão do globo, ou seja, parece que ele vai ‘saltar’ das órbitas. Nesse caso também o tratamento é clínico com colírios, em casos extremos o tratamento também pode ser cirúrgico.




Fonte: epocaglobo.com

domingo, 27 de janeiro de 2013

Catarata em cães e gatos




A catarata é uma doença oftálmica que pode atingir cães e gatos; explicando as suas principais consequências:

O que é a Catarata


A catarata é a opacificação das fibras ou da cápsula da lente. Pode ser originária de problemas congênitos, traumas, inflamações intra-oculares severas, diabetes, intoxicação por naftaleno ou dinitrofenol, pelo processo de envelhecimento (que deve ser diferenciado da esclerose da lente que ocorre em torno dos 8 anos em todos os cães) ou por um defeito hereditário recessivo, que é a causa mais comum.


A lente é uma estrutura biconvexa e transparente que, em seu estado normal, atua focalizando as imagens na retina, através do fenômeno conhecido como acomodação visual. O poder de acomodação no cão é pouco desenvolvido, cerca de 1 a 2 dioptrias (D), sendo que em um humano adulto jovem é cerca de 10 D. Com a idade as pessoas vão perdendo a amplitude de acomodação da lente, e aos 55 anos apresentam cerca de 1,5 D, ou seja, quando a imagem está perto o poder de focalização é semelhante ao de um cão.





Raças Predispostas para a Catarata


No cão, as principais raças predispostas ao desenvolvimento de cataratahereditária são: Poodle, Cocker Spaniel Americano e Inglês, Schnauzer miniatura, Golden e Labrador Retriever, West Highland White Terrier e Afghan Hound.

Catarata em Gatos


A catarata em gatos ocorre com menos freqüência e está relacionada principalmente com o envelhecimento, inflamações intra-oculares ou diabetes.
Catarata madura em cão da raça poodle (A) e catarata madura em gato da raça persa (B).


Causas da Catarata



Independente da causa da catarata quanto mais cedo for diagnosticada e tratada melhores são os resultados, pois não é apenas uma opacificação que leva à cegueira, é uma doença intra-ocular e deve ser tratada como tal. Entretanto, mesmo proprietários extremamente cuidadosos não conseguem perceber uma catarata inicial, pois o exame só é possível com a pupila dilatada, nesse caso é recomendável que seja feito por um oftalmologista veterinário.





A catarata pode ser causada por inflamação intra-ocular (uveíte), mas ela também causa inflamação quando as proteínas da lente se soltam, principalmente nas cataratas maduras. A uveíte não controlada causa dor e pode culminar em glaucoma, pois as células inflamatórias obstruem o ângulo que drena o líquido de dentro do olho (humor aquoso). Então imagine, é como se fosse uma “torneira aberta com o ralo entupido”.


Cão com sinais de uveíte e glaucoma
Cão com sinais de uveíte e glaucoma. Observe olho vermelho e edema de córnea.


Tratamento da Catarata


O tratamento da catarata é exclusivamente cirúrgico. Não existem comprovações científicas de que o tratamento clínico da catarata possa retardar o desenvolvimento da catarata canina e nos demais animais. Como a cirurgia é realizada por facoemulsificação (ultra-som) os melhores resultados são em cataratas imaturas, ou seja, bem iniciais. Mas cataratas maduras também podem ser operadas.


Outro ponto importante é que a catarata canina, não raro, está acompanhada de atrofia progressiva de retina, principalmente nas raças Poodle e Cocker. Por isso, sempre que o exame do fundo do olho não seja possível é indicada uma eletroretinografia em pacientes candidatos à cirurgia, pois se a retina está atrofiada, mesmo com a remoção da catarata o paciente não volta a enxergar. Mas então, se a retina está atrofiada a cirurgia não é indicada? Na verdade, como a catarata é uma doença ela deve ser removida, pois as suas complicações podem levar à perda do olho. A eletroretinografia serve para nos dar um prognóstico, ou seja, quais as chances do animal voltar a enxergar depois da cirurgia.

Prevenção


Não há como prevenir o aparecimento da catarata, mas podemos diminuir a sua incidência não reproduzindo animais afetados. As complicações sim podem ser prevenidas e quanto antes diagnosticarmos a catarata melhor. É importante uma avaliação oftálmica de rotina, principalmente nas raças predispostas. Mas não esqueça que as demais raças e nossos queridos amigos “vira-latas” não estão livres de alterações oftálmicas.


Fonte: oftalmologianimal.com.br