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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

GATEIROS E CACHORREIROS. EITA RAÇA!




por Dener Giovanini




Normalmente não comento sobre as manifestações dos leitores. As razões são várias. Vão desde a impossibilidade de responder pessoalmente a todas as mensagens – que são muitas – até a precaução no sentido de manter um espaço absolutamente democrático para que cada um se manifeste livremente, sem correr o risco de ter sua opinião censurada ou questionada.

Porém, dessa vez decidi tecer mais alguns comentários a respeito da nota sobre a Consulta Pública da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, que irá publicar uma Lista Oficial de Espécies Invasoras.

O que me motiva a escrever agora foi a enorme repercussão que a nota alcançou. Foram quase 6 mil recomendações no Facebook, mais de 150 comentários de leitores e quase 200 réplicas no Twitter.

Poucas vezes vi na internet um número tão grande de pessoas se manifestando a respeito de uma notícia. No caso da nota sobre as espécies invasoras, tamanho alcance deve-se principalmente ao enorme poder de mobilização que os protetores de animais domésticos possuem. Eles são conhecidos popularmente como gateiros e cachorreiros. São pessoas que dedicam grande parte do seu tempo a causa da proteção dos animais domésticos.

Essas pessoas são capazes de sacrifícios imensos para defender aquilo que elas acreditam. Não existe no mundo – e digo sem medo de errar – nenhum outro movimento em que seus membros se envolvam tanto com a causa que abraçam. Nenhum grupo político ou religioso possui integrantes dispostos a tanto sacrifício pessoal como é o caso dos gateiros e cachorreiros. Nenhum grupo social tem uma capacidade de mobilização tão forte quanto eles. É impressionante.

Rapaz salva cão de Turistas em
Melbourne


A sorte de quem maltrata animais é que esse imenso grupo de protetores ainda desconhece o poder que tem. Pois no dia que eles se organizarem e passarem a ter estratégias claras de atuação, o mundo político irá tremer.

Os protetores de animais podem arruinar uma carreira política. Podem condenar um produto ao fracasso e, até, causar enormes prejuízos à empresas que insistem em ignorá-los. Uma grande parte desse grupo de ativistas é formada por donas de casa. São mulheres que decidem o que comprar em seu lar e que, com o poder de mães, esposas e filhas, conseguem mudar a opinião – e o voto – da família.

Para a felicidade daqueles que ignoram os apelos desse grupo, o movimento ainda não é organizado. Não existem lideranças nacionais com capacidade de mobilizar e de conduzir uma ação uniforme em território nacional. No dia que isso acontecer, senadores da República e até candidatos a presidente do país terão que estender tapetes vermelhos para eles.



O mais impressionante nesse grupo, além do grande poder de mobilização, é outra característica muito singular: grana. Ou melhor, a falta dela. Em 25 anos de lida diária na causa ambiental, nunca vi um “movimento social” trabalhar sem ganhar. Pelo contrário. Penso que os protetores de animais é o único grupo que tira do próprio bolso o financiamento para as suas causas. Eles não são empregados em ONGs, não recebem bons salários, como a grande parte dos ambientalistas profissionais, não dispõe de financiamento público e muito menos recebem emendas de parlamentares. O dinheiro deles vem das “vaquinhas”, das “rifas” e dos trocados que conseguem juntar impondo-se algum sacrifício pessoal.

Não existem estatísticas que mostram quantos eles são. E muito menos existem dados oficiais sobre quem eles são.



Mas uma boa dica para identificar um potencial protetor é reparar em alguns dos seus hábitos mais comuns: possuem animais domésticos, provavelmente mais de um. Nas redes sociais, seus álbuns de fotos sempre possuem a foto de um gatinho, de um cachorrinho, ao lado das imagens de suas famílias. Nas ruas, seu animal de estimação está quase sempre no colo, ou, se for grande, sempre ostentará um pelo brilhoso ou uma coleira da moda. Para esse grupo, não existe diferença social entre os animais. Os de “raça” e os “vira-latas” são iguais, nem mais, nem menos.

A eles, os protetores e protetoras do Brasil, dedico minha inteira admiração e agradeço imensamente as lições de amor e respeito à vida, que muitas vezes nos faltam quando somos absorvidos pelos debates “técnicos” em nossa luta ambiental.

Obrigado.

Fonte: sustentabilidade.estadao.com.br

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012




Você pode ajudar de alguma forma?




A ABAA (Associação Barrense Amigos dos Animais) está passando por uma série de dificuldades. Ativa desde outubro de 2011, ela cuida atualmente de 130 cães e precisa de dinheiro para compra de ração, medicamentos, gastos com os funcionários e o aluguel do espaço.

Segundo a presidente da ONG (Organização Não Governamental), Rosimere Matos da Silva, a instituição não possui parceria com ninguém.

- Hoje nós contamos apenas com a ajuda de voluntários, que infelizmente ainda são poucos, mas nos ajudam muito. A prefeitura está tentando nos ajudar mensalmente, inclusive já fizemos reuniões para resolver essa questão, mas nada foi decidido ainda - comentou.

De acordo com Rosimere, a ONG foi fundada depois que o espaço em sua casa começou a ficar pequeno para a quantidade de animais.

- Sempre cuidei de gatos e cachorros na minha casa, as pessoas sabiam que eu pegava para cuidar quando não tinha ninguém para ficar com o bichinho. Mas, como a procura foi ficando muito grande e o espaço aqui em casa foi ficando pequeno, fui orientada a abrir uma ONG. Dessa forma, seria um trabalho regularizado e eu teria um espaço melhor para cuidar dos bichos - explicou.

A organização funciona em um sítio alugado em Ipiabas, distrito da cidade. Atualmente, 70 cães moram no local enquanto aguardam adoção. Cerca de 50 ficam em um canil e o restante fica solto nas dependências. Além desses animais, outros 50 estão na casa da presidente da ONG, também aguardando para serem adotados.

- Os cachorros que ficam na minha casa são os de pequeno porte, filhotes e que necessitam de cuidados especiais. Nós contamos com o apoio de uma veterinária que presta toda a assistência para os animais, desde medicamentos até cirurgias - disse.

De acordo com Rosimere, o objetivo da organização é educar as pessoas contra o abandono de animais e conscientizar a adoção.

- Nosso objetivo é a educação, para evitar o abandono e os maus tratos, esterilizando os bichos e denunciando os casos. Nesse ponto contamos muito com a parceria da Secretaria do Meio Ambiente e da Guarda Municipal, que sempre nos apoia quando temos que ir recolher um animal ou fazer uma denúncia. Muitas vezes o órgão até nos acompanha nessas vistorias - elogiou.

Em dezembro do ano passado foi realizada uma feira de adoção de cães e gatos em parceria com a prefeitura.

- A feira foi um sucesso. Nós levamos para a adoção 36 animais e todos saíram com um lar. Por isso, estamos com mais uma feira em vista. No dia 25 de março vamos voltar à Praça Nilo Peçanha, no Centro, para mais uma edição do projeto. Dessa vez, nosso objetivo é levar cerca de cinquenta animais, entre cães e gatos - comentou.

Rosimere ressalta que, depois da adoção, a família passa novamente por uma vistoria para saber se o animal está recebendo os cuidados necessários.

- Depois que o animal é adotado nós voltamos à casa da pessoa para saber se o bichinho está sendo bem tratado, recebendo alimentação necessária e um lar com amor. Depois da feira recolhemos apenas dois cachorrinhos, um por maus tratos e o outro porque a família estava sem condição de ficar com ele - salientou.

Apesar dos problemas enfrentados financeiramente, a ONG segue com seus trabalhos em proteção aos animais.

- Hoje nossa dívida está em torno de R$ 10 mil. Mesmo com todos esses problemas nós continuamos. O amor pelos animais é maior, e graças a Deus encontramos pessoas muito boas e que têm nos ajudado como pode. Alguns ajudam doando ração, e outros auxiliam fornecendo remédios ou material de limpeza. Existem pessoas que se preocupam com os animais e sabem que eles precisam ficar aqui até encontrar um lar, que é o nosso principal objetivo - conta.

Quem quiser ser um voluntário da ONG deve entrar em contato pelos telefones (24) 2443-7018 ou 2442- 3794. A organização funciona na Rua Aloísio Trindade Moura, número 472, em Ipiabas. Para agendar visitas ao local é preciso entrar em contato com os telefones citados na reportagem.

Prefeitura reconhece a carência da ONG

Segundo o diretor do Departamento de Gestão de Controle do Animal Urbano da Secretaria do Meio Ambiente, Wilcker Camargo, a prefeitura de Barra do Piraí tem conhecimento da carência da ONG em relação a verbas. Segundo ele, é intenção do governo municipal ajudar a organização financeiramente ou através de doações.

Projetos sobre o assunto, inclusive, já foram discutidos com os órgãos competentes.

- Nós estamos cientes que a ONG precisa de ajuda e estamos estudando uma forma de poder ajudar financeiramente. Entretanto, esse é um assunto que precisa ser discutido para que nós possamos avaliar quais são as principais necessidades da organização - falou.

Já sobre a feirinha de animais, Wilcker conta que é uma parceria da prefeitura com a ONG.

- Sabemos que o trabalho da Rosimere é sério, por isso resolvemos montar a feirinha de doação de animais junto com ela. Como foi um sucesso na primeira edição, vamos repetir a dose mais uma vez - disse.

Sobre o projeto Bem Estar Animal, Wilcker - que também é coordenador do programa - afirma que o principal objetivo da iniciativa é controlar de forma humanitária a população de animais abandonados no município.

- Trabalhamos em quatro pontos importantes. A origem desses animais - ou seja, porque eles estão abandonados -, a educação, ressocialização (adoção) e a castração, que ainda está em fase de implantação. Hoje o departamento combate o abandono e os maus tratos, além de promover a adoção e castração dos animais de rua. O desafio para os próximos anos é mudar fundamentalmente o pensamento da população em relação aos seus animais e os que estão nas vias. Precisamos ajudá-las a entender que a guarda responsável de animais de estimação, obtida por meio da educação, é fundamental para a redução do ciclo crescente da população animal nas ruas - finalizou.


Fonte: Diário do Vale