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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Cães e gatos também sofrem com o calor.









Cães e gatos também sofrem com o calor.
por Flávia Yuri Oshima com Nathalia Bianco






Manolo, um buldogue inglês de 10 meses, é tão adorável quanto terrível, na definição de sua dona, a médica Mayra Aguirre. Destroça quase tudo o que vê pela frente e ainda engole o que sobrar, sem distinção de materiais. Um dia, na escola de adestramento que frequenta, Manolo apareceu ofegante, como se estivesse asfixiado. Os instrutores acharam que havia engolido algo – e ligaram para Mayra. Pouco depois de chegar ao hospital veterinário, Mayra descobriu que seu cão estava com hipertermia. A temperatura de seu corpo subira para mais de 40 graus. Ocorrera uma obstrução da traqueia. Manolo ficou 24 horas no hospital para que a temperatura baixasse e estabilizasse.

Desde então sua rotina mudou. Quando faz muito calor, Manolo fica em casa, longe do agito da escolinha, sob o ar-condicionado, com muita água gelada a sua disposição. Os passeios durante o dia foram cancelados. Mayra só sai de casa depois das 9 horas da noite, quando o asfalto já esfriou e o ar está mais fresco. “Enquanto estava no veterinário, me espantei com a quantidade de cachorros que chegavam com o mesmo tipo de problema”, diz Mayra. “No hospital, existe até uma sala especial para esses casos, com recursos para baixar a temperatura.”




A raça de Manolo tende a sofrer mais com o calor. Seu focinho curto dificulta a respiração, vital para manter a temperatura do corpo estável. O calor intenso também é uma ameaça a outros tipos de cachorro e animais domésticos – gato, passarinho, furão, chinchila e coelho. Sete hospitais veterinários ouvidos por ÉPOCA, em São Paulo e no Rio de Janeiro, aumentaram o número de atendimentos entre 25% e 40% no verão. Os casos mais comuns são de aumento da temperatura do corpo – a hipertermia –, desidratação e queimaduras da parte fofa das patinhas, os coxins. Há também maior incidência de câncer de pele, principalmente em gatos. “Os felinos gostam muito de dormir ao sol. A incidência de câncer ocorre na ponta das orelhas e nos focinhos, as partes mais expostas”, diz Salvador Belmonte, veterinário do hospital Iemev, do Rio de Janeiro. Esses casos são reversíveis quando tratados no início da doença. O problema é que muitos donos demoram a procurar ajuda: acham que os animais se feriram com as próprias unhas ou brincando com os outros. Fica a dica: gatos e cachorros machucados nas áreas sem pelos devem ser examinados por veterinários.




No caso dos cães, três fatores fazem com que sejam mais sensíveis que nós ao calor. A temperatura do corpo deles é mais alta. Varia entre 37 e 39 graus. A partir dos 40 graus, o animal já está sofrendo. Ao contrário dos humanos, ele praticamente não transpira pelo corpo. A regulação da temperatura é feita somente pela troca de ar da respiração. O corpo do cachorro fica muito próximo do chão, o que faz com que absorva calor. Desidratação e hipertermia não deixam sequelas quando identificadas a tempo. Caso contrário, podem levar à morte ou deixar consequências sérias, como convulsões crônicas por lesão cerebral e dano renal permanente. 




As crises desencadeadas pelo calor não são necessariamente resultado de descuido dos donos. Os problemas ocorrem porque a resistência dos bichos muda com o calor extremo. Hábitos normalmente inofensivos, como correr ao lado do dono, passam a afetar o cão, que no calor tem menos fôlego. O ato de sair para caminhar com o animal depois de o sol já ter baixado – mas com o asfalto ainda quente – é uma das principais causas de queimaduras nas patinhas. A dedicação do cão ao dono acaba encobrindo o incômodo – e mesmo a dor – que o animal sente. Sair com o dono é um momento de tanta felicidade que o cachorro tende a prosseguir enquanto tiver fôlego, mesmo pisando no chão quente ou se sentindo exausto. “Muitas vezes, só dá para notar que a reação deles não está normal à noite, quando o animal já teve tempo para descansar e se refrescar, mas continua ofegante e prostrado”, diz Fernanda Fragata, veterinária do Hospital Sena Madureira, em São Paulo. Animais mais velhos e acima do peso são mais sensíveis aos efeitos do calor.




A engenheira Fernanda Magalhães tomava o cuidado de sair com sua fêmea de cocker spaniel, Bebel, antes das 7 da manhã e depois das 21 horas. Num passeio pelo Parque Ibirapuera, em São Paulo, à noite, Bebel passou a salivar muito, com a língua para fora, e diminuiu o passo. “Quando vi sua língua roxa, a coloquei na mochila e a levei para o pronto-socorro.” Bebel teve hipertermia e desidratação, apesar de toda a água que Fernanda lhe dera. “Andamos menos do que costumamos andar e já eram mais de 9 da noite”, afirma a engenheira. “Bebel fez 9 anos. Descobrimos que sua resistência mudou.”




A melhor estratégia para se precaver contra os males do calor intenso é se prevenir. Em casa, é importante manter o ambiente fresco mesmo que os donos passem o dia fora. É o caso de deixar o ventilador ligado ou programar o ar-condicionado para ligar e desligar automaticamente várias vezes ao longo do dia. Os bichos domésticos ficam bem com temperaturas entre 22 e 24 graus. No verão, a quantidade de vasilhas de água deve aumentar. Vale espalhá-las por vários cantos da casa. Muitos bichos, principalmente os gatos, podem sentir preguiça de ir até a água mesmo quando estão com sede. A temperatura da água também é importante. Pote com água morna é o mesmo que pote seco para muitos dos bichos. A indicação é espalhar pedras de gelo nas vasilhas e fontes de água e garantir que sejam postas em locais que não pegam sol. A alimentação deve permanecer a mesma. O apetite dos bichos tende a diminuir com o calor. Se estranharem uma nova ração, é provável que comam ainda menos. Vale complementar a alimentação com frutas geladas para os animais lamberem. O banho deve ser usado com moderação para evitar choques térmicos. Antes de ligar a banheira ou enfiar seu gato no tanque, certifique-se de que ele não está muito quente. O mais indicado, no caso de animais com a temperatura elevada, é enrolá-los numa toalha molhada e levá-los à água apenas quando estiverem frios.

Fonte: epoca.globo.com/vida/vida-util/bichos/noticia

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Tipos de focinhos podem facilitar problemas respiratórios em cães.






Tipos de focinhos podem facilitar problemas respiratórios em cães.

Polyanna Vieira - Diario de Pernambuco



Basta fazer um pequeno exercício mental: quantas raças de cães e gatos simplesmente não existiam há poucos anos? A busca por novidades também faz parte do mercado pet, mas tanto a criação de novas linhagens quanto a busca indiscriminada pelo que os criadores chamam de "perfeição" pode levar a sérios problemas de saúde nos animais.

O alto índice de cruzamentos entre raças é o principal fator apontado pelos especialistas para a predisposição característica de algumas raças a problemas respiratórios e até oculares. E o vilão, nesses casos, costuma ser o formato do focinho que, por conta de alterações provocadas por cruzamentos, nem sempre consegue cumprir sua função orgânica de possibilitar a respiração correta. Por isso, animais de raças com focinhos acentuadamente achatados, como ocorre nos pugs, buldogues ingleses e gatos persas, exigem cuidados redobrados.

Nem sempre um focinho curto é indício de problema. Algumas raças têm esse achatamento natural como característica. O problema, segundo os veterinários, é o exagero e as sucessivas tentativas de "aperfeiçoamento" nos canis e gatis a partir de cruzamentos que acentuem o encurtamento. "Isso existe por conta da busca exagerada em aperfeiçoar cada vez mais as raças, mas a prática pode trazer sérios problemas aos animais", explica a veterinária clínica Adriana Leal, da Clínica Petit Pet.

Dificuldade na respiração, infecção ocular e diminuição nas dimensões do crânio são alguns dos vários graves problemas de saúde que podem ser ocasionados por um focinho excessivamente achatado. Com as vias respiratórias comprometidas, os animais podem ter grande dificuldade para respirar e se alimentar.

O acompanhamento contínuo por um veterinário faz com que a fisioterapeuta Andrea Maciel fique mais tranquila com relação ao seu pug Dino. "Sabendo dos problemas que ele pode vir a ter por causa do focinho achatado, procuro levá-lo sempre ao veterinário", afirma. "Até agora ele não apresentou nenhum problema, mas fico atenta para saber como agir", revela. Andrea acredita que esse acompanhamento é essencial para orientá-la quanto aos cuidados com Dino. 
Os problemas com as vias respiratórias dos animais, porém, não são exclusivos de raças de focinho curto. A área deve receber atenção especial independentemente das suas características.

Pelo próprio costume de gatos e cachorros de cheirar objetos e usar o focinho para exploração, há chances de inalação de substâncias alérgenas e de picadas de insetos no local. Outro cuidado indicado pelos veterinários é a necessidade de proteção solar no caso de focinhos de cor clara. Por se tratar de uma área sensível e com a pele mais exposta, pode haver desde queimaduras solares até o desenvolvimento de manchas e lesões cancerígenas. A recomendação, neste caso, é aplicar protetor solar sempre que o animal for exposto ao sol.

A ordem dos veterinários é olhar e manusear sempre o focinho do animal. Qualquer inchaço, vermelhidão ou perda da coloração normal são sinais de alerta. Barulhos anormais durante a inspiração ou a expiração também devem ser relatados ao especialista. "Verificando diariamente, o criador saberá como está a região e, diante de alguma alteração, é preciso levá-lo imediatamente ao veterinário", finaliza a Adriana.

Um buldogue francês, por exemplo: O local onde ele esteja, precisa estar sempre arejado e fresco, não podendo em hipótese alguma ficar com muito calor. A troca de calor é feita pelos cães através da salivação e do focinho, e como cães com a “cabeça achatada” tem um focinho muito curto, ficam prejudicados neste quesito.(inf:tudosobrecachorros.com.br)

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RESPIRAÇÃO EM MAMÍFEROS