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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Cães precisam mais dos seus donos do que gatos







por Daisy Vivian(*)





No mundo todo, pesquisadores tentam fundamentar aquilo que todos já sabem: aristocracia felina não é mito. A famosa diferença entre cães e gatos, aquela que diz que estes não se misturam, tem lá seu fundo de razão, pelo menos por enquanto.

Em junho, a Universidade de Viena deu sua contribuição, para a alegria dos “pais” de cachorro, mostrando que os cães, precisam, sim, estar perto de seus donos. De acordo com a pesquisa, cães nutrem por seus tutores um afeto semelhante àquele que crianças pequenas têm por seus pais. O grupo testado (22 animais) levou em conta a presença dos donos com seus cães em um ambiente estranho e com pessoas desconhecidas. Depois de algum período de tempo, o dono deixa seu cão sozinho. O resultado a gente pode imaginar.

Longe de seus donos, a maioria dos cães se sentiu pouco à vontade ou até mesmo em perigo. Embora não tenham noção de paternidade, os cães desenvolvem por quem os alimenta e protege uma ligação emocional muito estreita, daí ser fonte de muita dor para um cachorro ser apartado de seu dono e isso vale para os casos de abandono porque um cão longe de seu “pai” é um cão perdido no mundo.

Neste mês, outra notícia fez muita gente torcer o nariz e um balde de água fria caiu sobre os “pais” de gatos. É da Universidade de Lincoln o estudo que busca comprovar que, diferentemente dos cães, os gatos não estão tão apegados assim ao “seu humano”, criatura que ele permitiu aproximação, comportamento que vem ao encontro da velha teoria de que gatos se afeiçoam mais pelo ambiente (territorialidade) do que por quem o abriga e alimenta. Na pesquisa, os gatos foram submetidos a uma situação e local estranhos com e sem a presença de seus donos. Diferentemente dos cães, os bichanos, em sua maioria, seguiram explorando o ambiente sem parecer ter reduzido sua confiança na ausência do tutor, resultados que, analisados, caracterizam animais mais independentes dos laços afetivos para tomarem decisões e se sentirem seguros.



Ingratidão? Não, a diferença se deve muito à domesticação. Enquanto o cão já convive com o homem desde antes da Idade da Pedra, o gato começou a aparecer na sociedade no Antigo Egito, tempo relativamente curto para ele se esquecer de que é um felino, diferente do cão que às vezes pensa que é gente. Em vista disso, gatos tendem a reverter à vida selvagem com relativa facilidade, uma vez que ainda são vistos caçando pássaros e ratos, um instinto totalmente esquecido pelo cão que, sem um provedor, acaba passando fome e insegurança se deixado sozinho em ambiente hostil.

E antes que os simpatizantes corram em defesa de seus bichanos – algo como “meu gato é louco por mim!”– houve registros de participantes que miaram para valer quando viram seus donos saindo da sala, reação que também tem a ver com o arquétipo mental, a história pregressa e a personalidade de cada indivíduo.


Fonte: revistadonna.clicrbs.com.br

(*)Daisy Vivian - Diplomada em Medicina Veterinária e Jornalismo pela UFRGS, atuou em clínica de pequenos animais por 14 anos quando decidiu dedicar-se mais à família. Mãe de dois meninos e de uma Yorkshire, Daisy não dispensa a presença de animais no cotidiano dos filhos a quem ensina o respeito à natureza, a preservação da vida e o amor aos animais. Pós-graduada em Comunicação Corporativa, atua na assessoria de imprensa do agronegócio e gera conteúdo para veículos de comunicação na área de medicina veterinária.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016












por Daisy Vivian (revistadonna.clicrbs.com.br/)



E os de raça não definida são mais resistentes? Entendendo mais sobre a saúde do seu pet.

A dúvida é comum e pode ser respondida com outra pergunta: são os de raça não definida mais resistentes?

Sim, eles são. Embora se percam características morfológicas da raça e algumas de suas aptidões, a miscigenação traz lá seus benefícios. Obesidade, doenças cardiovasculares, doenças autoimunes, osteocondrite e até atrofia progressiva de retina são tendências que, se frequentes em uma família, perdem sua força nas próximas gerações quando genética é introduzida no grupo.

Mas por que animais de raça pura têm fama de ser menos resistentes? Isso está no histórico de cada raça. Imagine dez mil cães descendendo de apenas 50 animais? O lado bom é que a consanguinidade imprimiu nas raças o carácter selecionado pelo ser humano para atender a uma finalidade especifica. Da mesma forma, temperamento e características físicas que hoje acreditamos ser obra do acaso na verdade vieram de repetidos cruzamentos entre animais selecionados para esse fim. Cães de pastoreio deviam ser grandes e dóceis; cães de guarda, destemidos e corajosos. Cães de regiões frias deveriam ter grande cobertura pilosa e uma boa camada de gordura para protegê-los do frio. Dependendo da utilidade de canina para cada região selecionou-se os animais mais bem adaptados às exigências naturais.

Boa parte das raças conhecidas na atualidade teve sua origem na Idade Média. Se considerarmos as dificuldades de locomoção e o frio da região europeia, fica fácil entender porque houve tantos endocruzamentos. São Bernardo nada mais é do que um cão desenvolvido no Mosteiro de mesmo nome, assim como seu primo distante, Saint Hubert. O Rotweiller nasceu da região de Rotweill, na Alemanha, mesmo país de onde tiveram origem nossos estimados Pastor Alemão e Weimaraner. Assim, pelo próprio nome, se remete à origem de várias raças, como Pastor de Shetland, pequinês, dinamarquês e buldog francês. Algumas raças ganharam o nome de seus criadores, como o Dobermann, outras representam um orgulho para a nação, como a raça Kuvasz é para os húngaros. Durante a Segunda Guerra Mundial, devido a sua robustez e marcado instinto de proteção à família, os Kuvasz foram abatidos pelos soldados restando apenas 9 exemplares ao final da guerra.

Cruzando os descendentes uns com os outros imprimiu-se no fenótipo dos animais características que conferem valor à raça. Mas isso teve seu preço. Genes que tenderiam a desaparecer em exocruzamentos atravessaram gerações, isso para o bom e para o ruim. Daí a tendência para algumas patologias em função da anatomia de seus exemplares. Pastor Alemão e outras raças de médio e grande porte ficaram conhecidas por apresentarem com mais frequência displasias coxo-femurais, o que compromete sua saúde e finalidade da raça como guardiã, além de precisar o animal de medicação para controlar a dor. Cães com nariz enfiado no meio dos olhos têm tendência a doenças respiratórias. Cães grandes, como o Dog Alemão, deve o proprietário estar atento à torção de estômago. Ácido úrico? Dálmata. Coluna? Dachshund. Otite? Cocker Spaniel e Basset Hound. Luxação de patela? Poodle. E por aí vai.




Tá, e daí? Vamos deixar de abraçar um Collie porque a raça tem predisposição à dermatite?

Aos cinófilos de plantão, um esclarecimento: tendência não significa obrigatoriedade, e muitos criadores já estão há muito tempo selecionando seus animais com vistas à redução e até à extinção do risco de desenvolver determinadas doenças. 

Pensando no resistente vira-lata? Sim, de fato. A miscigenação fez dos cães mestiços animais mais fortes, Quem não resistiu morreu ainda filhote e não transmitiu seus genes adiante, seleção natural que foi dando seu alô. Mas atenção! Mais resistente não quer dizer imune, e não é raro cachorro sem raça definida apresentar qualquer uma das patologias comuns em animais de raça. Basta ser o cão pequeno e ter frouxidão nos ligamentos do joelho para nosso vira-latas estar no veterinário com luxação de patela. Alergia alimentar não é raro em cãezinhos que pegamos da rua, o mesmo vale para alergia a pulgas e displasia. É bom ter em mente que animais, de raça ou não, são criaturas vivas e isso por si só já é passaporte para em algum momento aparecerem doenças que vão comprometer a saúde e o bem-estar de seu mascote nem que seja na sua velhice.