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domingo, 30 de outubro de 2016

Canil da Policia Militar do Estado de São Paulo.











"A matéria abaixo foi produzida em 1 de abril de 2013 por Ricardo_R32, no excelente blog Tudo por São Paulo 1932, a quem agradecemos".







Os primeiros relatos de emprego de cães no policiamento urbano em São Paulo datam de 1912 pela antiga Guarda Cívica. No entanto foi quatro décadas depois em 1950 que o Capitão Djanir Caldas trouxe da Argentina técnicas da Cinotecnia - e inicialmente com quatro cães da raça Pastor Alemão (dois deles vindos da Argentina), o Canil da Força Pública iniciava suas atividades em 15 de setembro de 1950.


Em 1957, o ainda embrionário canil teve sua existência ameaçada quando o então Governador Jânio da Silva Quadros disparou um de seus famosos bilhetinhos: "Faça os cães trabalharem ou extinguirei a matilha". Foi neste contexto que no mesmo ano de 1957 uma criança de quatro anos foi sequestrada, fato que obteve enorme repercussão na imprensa. Após longas buscas pela região onde o crime ocorreu, o cão Dick do Canil da FPSP(Força Pública do Estado de São Paulo, que passou a se chamar Policia Militar do Estado de São Paulo) conduzido pelo Soldado Muniz encontrou Eduardinho, como era chamado por seus pais, com vida em um buraco na Serra da Cantareira. Após o resgate da criança e a captura dos sequestradores, o Canil da Força Pública passou a ser elogiado pela sociedade e recebeu investimentos em sua infra estrutura - culminando no que é hoje o Canil Central da Polícia Militar.




Abaixo vemos uma pintura retratando o Soldado Muniz, o menino Eduardinho e o cão Dick que recebeu a patente simbólica de Cabo.

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Atualmente a 3a Cia/Canil conta com um efetivo de 156 Policiais Militares, 84 cães e 7 filhotes. Sediado na Serra da Cantareira, no bairro do Tremembé, na zona norte da Capital - o espaço é ideal para os cães: São 42.683 m² de ampla área verde, o que permite aos cães se sentirem livres em um ambiente similar a um sítio, em plena metrópole paulistana.






As principais missões realizadas pelo canil são:

- Operações contra o crime organizado, atuando isoladamente ou em apoio a outras unidades de Choque;

- Controle de distúrbios civis;

- Detecção de explosivos e entorpecentes;

- Policiamento com cães em eventos esportivos;

- Busca e localização de marginais foragidos em mata;

- Busca e resgate de pessoas perdidas em mata;

- Revistas em estabelecimentos prisionais;

- Segurança de autoridades.

O policial ao ser classificado na 3a Cia/Canil realiza um curso de Cinotecnia com aulas teóricas e técnicas em veterinária, cinotecnia e adestramento. Já para trabalhar com cães farejadores o policial realiza um estágio denominado EEP habilitando-o a realizar este tipo de serviço. Nas imagens abaixo vemos algumas exibições recreativas organizadas pelo Canil, como a transposição de obstáculos e a obediência aos comandos do condutor.

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Na sobreposição de imagens vemos a agilidade e a tranquilidade com que o cão Quick ultrapassa o arco de fogo.
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A cadela Cindy em prova de obediência.
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A excelência do trabalho realizado pelo Canil da Polícia Militar já rendeu centenas de troféus obtidos nas mais diversas competições ao longo de 63 anos. Infelizmente na atualidade o Canil da PM não está mais participando de eventos do gênero, o que pode comprometer o aprimoramento e desenvolvimento de alguns aspectos a longo prazo.


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Nas duas imagens a seguir vemos o cão Brown, conduzido pelo Soldado PM Caio Augusto, localizando com rapidez impressionante um explosivo previamente escondido na roda de um dos muitos carros estacionados no local.


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A postura de Brown indica que algo ali está errado, mas como pode ser algo perigoso o cão não se move.
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Os cães tem um olfato capaz de detectar entorpecentes em quantidades mínimas, escondidos locais de difícil acesso como atrás de painéis ou dentro das portas de um veículo. Na imagem abaixo os cães Hero e Guido conduzidos pelos Soldados Monteiro e Bueno fazem buscas a entorpecentes, localizando-os rapidamente entre diversas mochilas. 



O treinamento de faro para os cães se dá de forma absolutamente segura para o animal - que em hipótese alguma tem contato direto com a droga, ao contrário do que afirmam alguns desinformados. São anos de treinamento, mas depois de devidamente treinado a indicação do animal é infalível, segundo os policiais.
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Atualmente o Canil vem sendo bastante empregado em operações de presença e de saturação realizadas pela Polícia Militar. Na sequência a seguir vemos o momento da abordagem policial a um veículo suspeito por uma equipe usando o cão. Na simulação um dos suspeitos tenta a fuga, sendo imediatamente imobilizado pelo cão. Assisitir a simulação é impressionante, uma vez que o cão não sabe que se trata apenas de um teatro. Reparem nos olhos vigilantes do cão Pegasus (um Pastor Belga de Malinois) ainda dentro da viatura.
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Após a captura do suspeito, o cão retorna ao seu lugar na viatura.
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O Canil da PM trabalha com várias raças diferentes. A cadela Ira da raça Braco Alemão localizou recentemente um fugitivo em Itaquera.
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O gigantesco e simpático Guga, um Bloodhound especialista em faro. Cães como este são frequentemente empregados em operações conjuntas com a Polícia Civil, Polícia Federal, bem como em apoio ao GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) e ao COE (Comandos e Operações Especiais).
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O Canil conta com uma clínica veterinária completa e equipada, possuíndo dois Oficiais Médicos Veterinários e auxiliares especializados, que atendem não só os cães da 3a Cia, mas também aos cães dos mais de vinte canis setoriais espalhados pelo Estado de São Paulo.
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Na entrada do Canil, a homenagem ao "Cabo Dick" e a todos os cães que já serviram no canil. A relação policial/cão é mais do que uma relação de trabalho. É uma relação de amizade para toda a vida, já que após sua baixa o cão vai passar uma merecida aposentadoria ao lado do soldado que sempre o conduziu.
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Não poderia finalizar esta matéria sem mencionar os filhotes do setor de Desenvolvimento em Reprodução Canina. Animais adoráveis como o da imagem abaixo, que resolveu experimentar o sabor da lente da câmera do autor da matéria.
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Agradecimentos ao Cel PM César Augusto Luciano Franco Morelli - Comandante do Policiamento de Choque, ao Ten Cel PM Salvador Modesto Madia - Comandante do 4º Batalhão de Polícia de Choque, ao Cap PM Luna - Comandante da 3ª Cia/CANIL, ao 2o Ten PM Trigo, ao 2o Sgt William, ao Cb PM Nunes, ao Sd PM Silva Júnior, ao Sd PM Marchiori, ao Sd PM Pedro, ao Sd PM Cavalcante, a 1a Ten PM Tania Roldão - Oficial de RP do 4º Batalhão de Polícia de Choque, ao Coronel Paulo Adriano Telhada e ao amigo Milton Basile pela colaboração na elaboração desta matéria.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Cães Policiais.






Cães Policiais.

por Ed Grabianowski

Eficiência

Enquanto um cão policial está atrás de drogas, pode cobrir várias áreas bem rapidamente. Os oficiais precisariam de 19 vezes mais tempo para fazer a busca na mesma área e, mesmo assim, nunca encontrariam tudo que um cão pode farejar.


Foto: Bradock e Beno, dois CANE CORSO da PMESP








Por que se usam cães policiais? Por um motivo muito importante: o olfato deles é quase 50 vezes mais sensível que o dos seres humanos. Um cão pode farejar criminosos, drogas, armas e bombas em situações em que um oficial humano levaria muito mais tempo fazer e com um risco também maior.

Devido a tantas qualidades, a SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública) do Ministério da Justiça, está treinando cães para usá-los na segurança do Pan-americano de 2007 no Rio de Janeiro. Esses animais foram selecionados em 2006 e vêm de várias regiões do Brasil: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Rio de Janeiro entre outras.

Vários casos demonstram as habilidades desses cães. Em um caso, Breston, um pastor belga que trabalha com o Departamento de Polícia de Cheektowaga, em Cheektowaga, NY (um subúrbio de Buffalo), farejou facilmente um embarque de maconha em sacos plásticos lacrados, dentro de cestos lacrados com espuma selante, no interior de uma garagem fechada e cheia de objetos. Com seu faro aguçado, Breston livrou as ruas de US$ 3.400.000 em drogas.




Além da sensibilidade, o olfato de um cão pode discernir um cheiro específico mesmo quando há dúzias de outros cheiros ao redor. Os traficantes de drogas poderiam tentar enganar os cães farejadores enrolando as drogas em toalhas ensopadas de perfume, mas ainda assim os cães encontrariam as drogas.




Entretanto, um cão policial também tem outras tarefas. O rosnado de um cão policial bem treinado pode fazer com que que muitos criminosos se entreguem ao se sentirem intimidados. A mera presença de um cão policial pode evitar confrontos físicos.

Quando um conflito começa, os cães são mais rápidos e mais fortes que a maioria dos policiais, sendo capazes de pegar um suspeito fugindo e apertá-los com suas poderosas mandíbulas, prendendo-os até que outro oficial em serviço chegue. Por tudo isso, os cães acabaram ganhando um lugar definitivo nas forças policiais.

Prova disso foi o que ocorreu durante uma operação policial no Paraná, em que um rottweiler de ataque do 4º BPM - Apolo de 4 anos - efetuou a prisão de uma pessoa armada. O policial treinador solicitou que o suspeito parasse e não foi atendido, após dar um comando a Apolo, este imobilizou o suspeito.


História dos cães policiais

A força policial européia usava sabujos (cães farejadores) já no século XVIII. Apenas na Primeira Guerra Mundial, países como Bélgica e Alemanha formalizaram o processo de treinamento e começaram a usar os cães para tarefas específicas, como ficar de guarda. A prática continuou até a Segunda Guerra Mundial. Os soldados retornavam para casa trazendo notícias de que cães bem treinados estavam sendo usados pelos dois lados do combate. Logo, os programas K-9 foram iniciados em Londres e outras cidades europeias. O uso de cães policiais não ganhou uma base de operações nos Estados Unidos até os anos 70. Atualmente, os cães policiais são reconhecidos como parte vital da força da lei e seu uso tem crescido rapidamente nos últimos anos.

Fonte: http://pessoas.hsw.uol.com.br/

terça-feira, 27 de setembro de 2016










Um paradigma nos treinamentos de cães policiais dizia que um animal adestrado para uma função, nunca conseguiria desempenhar outra, ou seja, se ele foi treinado para ser de patrulha, não poderia adquirir capacidade para procurar drogas. E foi exatamente esse tabu que foi quebrado no Canil da Polícia Militar (PM) de Bauru, no Estado de São Paulo. 

O pastor alemão Leroy, além de atuar muito bem no patrulhamento e na guarda, também se tornou um excelente cão farejador. Além de economizar custos para o Estado, a técnica ainda aperfeiçoa o trabalho da PM, que pode contar com um policial “2 e 1” em todas as ocorrências. A subtenente Eliete Aparecida Tavares Ramos, comandante do Canil, destaca que o trabalho desenvolvido em Bauru era considerado até impossível. Pelas diversidades até da raça do cão. No entanto, pela habilidade demonstrada pelo Leroy e pela técnica do policial adestrador, foi possível ser desenvolvido um método. 

O policial que conseguiu superar esse conceito pré-estabelecido foi o soldado Carvalho. Ele revela que após fazer o curso no Canil Central em São Paulo, voltou para Bauru com a ideia de desenvolver um cão com a dupla habilidade. Para isso, procurou um cachorro adequado desde filhote. Leroy chegou à Polícia Militar com 53 dias de vida, e desde o início foi preparo por Carvalho. O policial destaca que o cão precisa ter uma habilidade natural para o trabalho planejado. Mesmo assim, em algumas situações percebe-se durante o adestramento que o cão não é compatível com a ação policial. Quando isso ocorre, ele é dispensado da atividade. Mas Leroy sempre demonstrou um talento natural com seu faro.

Inicialmente ele foi treinado para ser cão de guarda e patrulha. O trabalho iniciado foi o desenvolvimento da aptidão do animal, e em seguida, a aplicação da técnica policial e a obediência. Nessa fase, o trabalho policial é associado a brincadeiras para que o cão associe o desempenho de suas funções a algo divertido. Carvalho então iniciou a especialização de Leroy em uma segunda função, a de faro. Os cães farejadores podem ser treinados para procurar drogas, explosivos ou para fazer buscas de pessoas, por exemplo, em matas. Como a necessidade da PM em Bauru é maior no combate ao tráfico, Leroy foi adestrado para farejar entorpecentes. Foi conseguido dividir na cabeça dele as duas funções. Assim, ele sabe exatamente quando deve fazer o trabalho de guarda e patrulha e quando fará o de faro”, afirma o soldado. A troca de funções acontece quando a guia é mudada de lugar. Quando Carvalho prende a guia na coleira no pescoço de Leroy, ele sabe que é o momento de atuar como cão policial em ações de patrulha, como contenção de suspeitos, prevenção em grandes multidões, como estádios de futebol e até em rebeliões de presídios. Já quando a guia é presa junto ao peitoral, é o momento de Leroy sair a campo em busca de entorpecentes. Carvalho pontua que esse processo não foi fácil.

O soldado Carvalho observa que um dos objetivos da Polícia Militar em São Paulo é exatamente o adestramento de cães para desempenhar duas funções. Dessa forma, o policial avalia que se economiza em medicamentos e ração, além de agilizar o trabalho. Ele observa que em uma situação de patrulha, se há suspeita de drogas é preciso ir até o Canil, deixar o cão e embarcar na viatura outro que tenha o treinamento de faro. Com o Leroy, podemos trabalhar nas duas situações. Em minha opinião, isso dá maior agilidade ao trabalho policial. Leroy ainda vai trabalhar mais quatro anos até se aposentar. Porém, daqui a dois anos, Carvalho já precisa começar a preparar seu substituto. Mas o treinamento do novo cão policial não será exatamente o mesmo, pois como cada cão é único, adaptamos a técnica a ele.

Fonte: Comunicação Social da Policia Militar do Estado de São Paulo.


sábado, 18 de agosto de 2012






Fonte: Canil da PMESP







Em 1953 um homem abandonou um filhote de Pastor Alemão à porta do Canil da Polícia MIlitar no Barro Branco.

Até aí, nenhuma novidade. É uma cena que se repete até hoje, não só lá, mas por todos os cantos do país. Quem sabe depois de ler este texto, alguma coisa começe a mudar dentro de você.

Este pequeno e indefeso filhote foi então acolhido e treinado pela Polícia Militar, dentro de suas rígidas normas.

Pouco tempo depois Dick, como passou a ser conhecido, já estava treinado e apto a ajudar seu parceiro inseparável, o soldado José Muniz de Souza

Não precisaram de muitas missões para perceber que se tratava de um cachorro especial e logo Dick já era o campeão das buscas realizadas pela PM.

Mas o que fez este cachorro ser tão especial, foi um fato que comoveu a cidade inteira e mudou completamente o destino de uma família e do Canil da Polícia Militar de São Paulo.

O Governador de São Paulo, na época, era Jânio Quadros, que mesmo contra a opinião pública, queria o fim dos cachorros na PM: "Faça os cães trabalharem, ou dissolva a matilha"

Neste momento, um menino foi sequestrado na porta da sua casa. Chamava-se Eduardo Jaime Benevides, ou como ficou conhecido, "Eduardinho". Jânio Quadros determinou que não fossem poupados esforços para encontrá-lo e destacou investigadores, delegados e viaturas à sua procura. Porém, após três dias de procura, nem sinal do menino.

Jânio se pronuncia novamente: "Desejo saber detalhes sobre o desaparecimento do menino. Gostaria de recomendar à promoção os que deslindarem o mistério".

Em uma última esperança, designaram os soldados e cães do Canil da Polícia Militar para encontrar "Eduardinho". A seu favor, apenas o travesseiro do menino, para que os cachoros seguissem seu cheiro.

José Muniz de Souza e seus companheiros seguiram mato adentro até que Dick parou e começou a latir. O rastro do menino tinha sido encontrado e na sequência ele já conseguia ouvir o tênue choro de "Eduardinho" faminto e com muito frio, dentro de um buraco de um metro e meio de profundidade e coberto por folhas e zinco, na área onde hoje fica o Zoológico de São Paulo.

Depois de resgatado, Eduardinho disse que pediu a Deus que enviasse um anjo para salvá-lo.